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SANDRA PIMENTEL
(BRASIL - RIO DE JANEIRO)
Nasceu em Teresópolis, em 1949, filha de Maria América e Manoel do Rego Pimentel. Fez o primário, ginasial e normal no colégio São Paulo e bacharelou-se pela UF-RJ, onde também licenciou-se em Português, e graduou-se em Literatura Brasileira. Mestre em Letras Neolatinas pela Universidade de Paris, exerce o magistério superior no UNIFESO. Poetisa, tem vários livros editados, destacando-se A Seta da Farsa e Minha alma de Aldeia. Secretária Municipal de Cultura no governo Luiz Barbosa, tem poesias publicadas em diversas antologias, além de ensaios, dissertações e trabalhos monográficos.
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A poesia de Sandra Pimentel pertence à melhor linhagem da poesia contemporânea. Seu fazer poético é marcado pela maestria e vigor de um arcabouço rítmico-sonoro que se consubstancia a uma depurada linguagem, cujo vocabulário se despoja do superficial, dos falsos lirismos e arabescos. Com extremo domínio do verso, que se molda e harmoniza à densidade do universo de seus poemas, Sandra toca e, não raro, perfura as entranhas da fragilidade e dos desvãos da existência humana. Seriamente atenta à essência do existir, não capitula e enfrenta as vicissitudes a fio ígneo de espada.
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Autora dos livros de poesia A seta da farsa (Achiamé Editora) e Minha alma de aldeia (Aeroplano Editora).
Pós-graduada em Literatura Comparada pela Universidade de Paris, Mestre em Letras Neolatinas pela UFRJ, Membro da Academia Teresopolitana de Letras. Possui poemas publicados em dezenas de antologias nacionais e lusitanas.
sdpimentel@yahoos.com.br
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SANDRA PIMENTEL - RIO DE JANEIRO. Nos nós de nós
Teresópolis, RJ: Jornal Editora Alecrim, 2026. 186 p.
Arte: Capa e ilustrações: Renato Guarilha.
ISBN 978-65-83430-70-0 [Exemplar enviado pela autora.]
... nos nós de nós
Quem sou eu?
Parece que sou um eco,
eco.
A perseguir o eu que há em mim,
mim.
Não sei
se são dois eus
ou um nós descompassado.
nunca ao mesmo tempo,
sempre, sempre
um futuro do pretérito adiado.
Quem há de nos unir?
unir?
Se nos encontrássemos,
o vazio do não eu iria embora?
embora?
Não! definitivamente, não!
É da essência do eco
não gestar afeto,
se voz no vazio,
mera repetição,
e, por cruel destino,
ir atrás,
ao encalço do amor
vida afora,
não vendo a hora
de vencer a solidão,
mas em vão.
.................................
.................................
entre um eu e um não eu
há um vão, um desvão,
paralelas sem junção,
e cada qual
existindo em mim,
pobre de mim
— como dói!—,
sem ponto de encontro,
conjunção,
sem do amor a interseção.
... coração meu, aonde vais?
Ao som hipnótico do bolero de Ravel,
aos poucos desperta,
ressona,
ressoa meu coração envelhecido
que se espreguiça
e,
aos acordes, reage,
libertando-se da cordas
e,
de forma inesperada,
aos musicais tons das notas,
revela-se, mostra-se
no esmaecer e desbotar dos tons.
Ao inebrio do ritmo,
ensaia abrir
as encarquilhadas e rotas asas,
rumando, fora de si,
ao engano de amar
e,
imprudente,
obstina-se a olvidar
que a mesma e toda rota
já, há tempos, jaz morta.
Coração meu, aonde vais?
Não mais há tempo,
regressa,
escuta, luta, volta(!)
antes que, mais uma vez,
a tentação furtiva
há de entregar-te urtigas.
Surdo, cego, claudicante,
inebriado por sons
que se aceleram e se evolam,
cede ao ludibrio e persegue,
por vielas frias, sinuosas,
o encapotado e sorrateiro vulto
que, ao dobrar da esquina,
por puro ardi, sorri, acena
e ao vinho o convida sem demora.
Coração meu, aonde vais?
Acredita! Viste?
Enquanto é tempo,
derradeira hora,
dá meia volta, sofreia o passo,
retorna!
É enganosa esta visão.
Amarra-te ao mastro,
faze-te Ulisses,
resiste,
chaveie-te no cofre,
e reste,
à beira,
forte
e surdo,
e imune
ao jugo matreiro
dos cantos das sereias.
... silhueta
Na indecisa agonia de outono,
a névoa matutina embranquece as árvores.
Pássaros recolhidos pousam
invisíveis em tua silhueta
que desenhei na vidraça de frio transpirada.
Um supersônico me corta
e inerva em derrama,
e me cola ao teu vítreo ser ígneo.
E, ao desarrumar das linhas de teu corpo,
raiam sanguíneas aves em revoada.
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Página publicada em 28/09/2026.
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